SAUDOSA MALOCA

 

Projeto curado por Alice Ricci, Ángel Calvo Ulloa e Carolina Cordeiro com os a e as artistas: Adriana Aranha, Carlos Nunes, Cinthia Marcelle, Coletivo SC02 [Camila Otto e André Hauck], Detanico Lain, Ding Musa, Erica Ferrari, Flora Leite, Gabriela Mureb, Guto Lacaz, Leka Mendes, Mauro Cerqueira, Misha Bies Golas, Pedro G. Romero, Raphael Escobar, Rydias e Sandra Cinto

 

2 a 8 de setembro 2018

Alameda Campinas, 737

 

Jardim Paulista - São Paulo

 

ESP | Recordemos el comienzo de Roma, dirigida por Federico Fellini en 1972. Una máquina tuneladora escava una nueva línea de metro y avanza, ante la atenta mirada del director y de su equipo de rodaje, abriéndose paso bajo la ciudad. De pronto, el avance se detiene tras atravesar el muro de una villa romana sepultada. En su interior, los operarios de la obra y el equipo de Fellini, observan maravillados los frescos que cubren los muros, pero que al contacto con el aire y la luz exterior estos comienzan a borrarse ante el estupor colectivo.

 

Quizás ese hecho determinante genere entonces un instante de eternidad, de tal profundo deleite para los presentes que ese momento de tan corta duración pervivirá por siempre impreso en sus retinas y marcará un antes y un después en el ejercicio de observar. Quizás sea extrapolable a muchas otras situaciones, a lugares de infancia que hemos sublimado, añadiéndolas al muestrario de lo ideal, de lo que jamás se borrará tras haberlo visto sucumbir bajo las ruedas del futuro.

 

Esa idea de impermanencia, extrapolada a una megalópolis como São Paulo, a la que Lévi-Strauss se refirió como una ciudad nueva, de esas que pasan directamente de la lozanía a la decrepitud, que jamás son antiguas ni incitan a un paseo fuera del tiempo, cobra un sentido mayor incluso que el de ese ejemplo previo, ya que basta la vida de un ser humano para comprobar esos efectos devastadores que en otras circunstancias demorarían siglos.  

 

Saudosa Maloca toma un samba homónimo de Adoniran Barbosa para hablar de ello, de un instante exacto en que pasado, presente y futuro convergen y que, por su levedad, se desvanece para siempre. No importa que el momento se presente en esa villa romana de Fellini o en una canción que narra el constante fin de ciclo al que se enfrenta São Paulo. Más allá de ese tema recurrente, el concepto de la disolución, de desaparición sin dejar rastro y el carácter de perplejidad que se aloja tras estos hechos, aporta la consciencia necesaria a la hora de enfrentarnos a lo que por diversas causas no perdura.

 

Por ello, Saudosa Maloca reúne a una serie de artistas cuyo trabajo no se entiende sin São Paulo, pero también a otros cuya relación con sus respectivos entornos es similar y los lleva a registrar también en su obra instantes de pérdida como forma de prevenir el olvido.

 

Por otra parte, no podemos perder de vista el ejercicio de Adoniran Barbosa y tantos otros, que echan mano de la música popular para convertir en memoria alegre colectiva y patrimonio inmaterial las experiencias que otros lugares convierten en duelo. Por ello la ironía es algo que aquí planea sobre el trabajo de muchos de los artistas; una carga de humor que entremezcla las dificultades del presente y la necesidad de mirar al futuro sin arrastrar la tragedia. Estos ingredientes componen esta canción que, como esas pinturas descubiertas bajo la ciudad de Roma, se extinguen de un modo poético. Por eso, Saudosa Maloca pretende ser también ahora una experiencia fugaz, como lo es esa música de poco más de dos minutos, para narrar de un modo nada categórico una panorámica colectiva por medio de pequeñas cápsulas de experiencias personales que podrían ser otras.   

 

PTLembremo‐nos do início de Roma, filme dirigido por Federico Fellini em 1972. Uma máquina escavadora abre uma nova linha de metrô e avança, diante do olhar atento do diretor e de sua equipe de filmagem, passando por baixo da cidade. Subitamente a escavação é interrompida ao atravessar a parede de uma vila romana enterrada. Em seu interior, os trabalhadores da obra e a equipe de Fellini, observam admirados os afrescos que cobrem as paredes, mas que, em contato com o ar e a luz exterior, começam a desvanecer‐se diante do estupor coletivo.

 

Talvez esse fato determinante gere então um instante de eternidade de tão profundo deleite para os presentes, que esse momento de curtíssima duração sobreviverá impresso para sempre em suas retinas e marcará um antes e um depois no exercício da observação. Talvez possa ser extrapolado para muitas outras situações, para lugares da infância que sublimamos, acrescentando‐os à amostra do ideal, do que nunca será apagado depois de tê‐lo visto sucumbir sob as rodas do futuro.

 

Essa ideia de impermanência, deslocada para uma metrópole como São Paulo – sobre a qual Lévi-Strauss se referiu como uma cidade nova, do tipo que vai diretamente do frescor à decrepitude, que nunca será antiga nem incita a uma caminhada fora do tempo – adquire um significado ainda maior do que o exemplo anterior, já que a vida de um ser humano é suficiente para verificar os efeitos devastadores que em outras circunstâncias levaria séculos.

 

Saudosa Maloca toma como referencia um samba homônimo de Adoniran Barbosa para falar sobre um momento exato em que passado, presente e futuro se convergem e, por sua fugacidade, desaparecem para sempre. Não importa que o momento esteja presente naquela vila romana de Fellini ou em uma canção que narra o constante fim de ciclo que São Paulo enfrenta. Mais além desse tema recorrente, o conceito de dissolução, de desaparecimento sem deixar vestígios e o caráter de perplexidade que está por trás desses acontecimentos, proporciona a consciência necessária para o enfrentamento daquilo que, por diversas causas, não dura.

 

Portanto, Saudosa Maloca reúne uma série de artistas cujos trabalhos não poderiam ser entendidos sem a cidade de São Paulo, além de outros cuja relação com seus respectivos ambientes é semelhante e os leva a registrar momentos de perda como forma de evitar o esquecimento.

 

Por outro lado, não podemos perder de vista o exercício de Adoniran Barbosa e tantos outros, que usaram a música popular para converter em memoria alegre e coletiva, e patrimônio imaterial, experiências que outros lugares transformariam em luto. É por isso que a ironia é algo que por aqui permeia o trabalho de muitos artistas; uma carga de humor que mistura as dificuldades do presente e a necessidade de olhar para o futuro sem arrastar a tragédia. Esses ingredientes compõem essa música que, como aquelas pinturas descobertas sob a cidade de Roma, se extinguem de maneira poética. Por essa razão, Saudosa Maloca também pretende ser uma experiência passageira, assim como a música de pouco mais de dois minutos, para narrar de maneira nada categórica um panorama coletivo por meio de pequenas cápsulas de experiências pessoais que poderiam ser outras.

 

FOTOS: Ding Musa